SPFW ou pensar moda?

23jan10

Sinceramente? Fiquei com preguiça de falar sobre o SPFW. Sabe, tudo o que rolou lá foi muito bonito, muito criativo e muito blábláblá. Mas, parece que é só para inglês ver, como diz o ditado.

Mesmo me arrastando de sono, acompanhei dia a dia o que passou pelas passarelas, mas nada havia me tocado, me dado inspiração para vir aqui pitacar. Tanto que o último post, sobre o Fashion Rio, não me deixou assim, cheeeia de orgulho. Aí, no último dia do evento, fui ao Ibirapuera. Paralelamente à semana de moda de São Paulo rola o evento Ziguezague Moda e Arte no MAM, promovido pelo Senac. Esse foi meu destino numa 6ª feira chuvosamente sem dó, como tem sido em São Paulo. E foi justamente lá que encontrei a dúvida e a resposta que eu precisava.

O Ziguezague é pontuado de Desfiles Incríveis, Oficinas Transitivas e Conversas Transversais, tudo acompanhado, estudado e devidamente discutido entre pesquisadores de moda, arte e ciências sociais. Essa foi a segunda vez que fui ao evento e, desta vez, assisti à Conversas Transversais em que o consumismo apareceu de forma contrária ao que estava sendo ‘pregado’ na vizinhança. Os pontos apresentados foram: duas formadas em moda que quase não puderam apresentar seu TCC por conta da crise econômica mundial e se questionaram de como seriam suas carreiras, o que resultou em uma ‘galeria de moda‘; uma comunicóloga que apresentou o desejo e o consumo do status da moda entre os chefões do Comando Vermelho nos morros do RJ; uma docente e seu pensamento espalhado sobre o distanciamento entre as grandes artes (pintura, música e arquitetura) e as pequenas artes (moda) e a ligação com as cinco peles do ser humano, proposta pelo austríaco Hundertwasser (epiderme, vestuário, casa, meio social e identidade e a Terra); e uma socióloga fashion e divertida que nos mostrou as diferentes faces que os Vampiros (e o universo paradoxal) nos mostram diante da moda e da subjetividade.

Batido tudo isso no liquidificador e o primeiro ponto a que se chegou foi que a SPFW é um evento de um mundo fechado com acesso para outros mundos fechados. Quems? As celebs e a imprensa, ou seja, os formadores de opinião. Quanto à imprensa, okey. Mas, celebs? Ser ator é um trabalho como outro qualquer, e são celebridades só porque aparecem na telinha da Globo? Tanto que há celebs instantâneas agora, esses malditos BBB’s que não servem para absolutamente nada! Celebridade deveria ser considerado, por exemplo, o paulista que levanta às 5h da matina e enfrenta um baita trânsito, quando não precisa fazer malabarismos por conta de enchentes e congestionamentos monstruosos,  para arregaçar as mangas para se sustentar e fazer a economia do país acontecer!! Mas, enfim… Se a SPFW é mais palpável para seres ‘imortais’ que para seres humanos terrestres (incluindo a este mundo os estudantes de moda), então como pensar e democratizar a moda? Porque, até então, pra mim foi só consumismo, mesmo. Status, sabe? A coisa do ter, em vez do ser. Já pensou:

Você: Oi, quem é você?

O outro: Ah, eu tenho um Louboutin!

Você: Oi?

(E enquanto terminava esse parágrafo, recebi um tweet do Felipe Andreoli com esse texto que ele fez sobre o SPFW, que foi super pertinente. Vale a pena!)

Isso tudo sem contar que os bafônicos do mundinho fashion idolatraram o SPFW, tudo era lindo e perfeito. Só o Fashion Rio que não serviu pra nada, porque no Rio não faz inverno, lembra? Como se estivesse tudo mastigado… Olha só que irônico o que o Ronaldo Fraga disse em uma entrevista: ‘Não é a moda que influencia a cultura, é a cultura que pode influenciar a moda. A moda não influencia nada, a moda é essa bobagem mesmo. Ela só melhora quando estabelece algo com outras frentes.‘ (leia na íntegra)

Essa Conversa Transversal se estendeu durante a tarde num papo entre amigas que me fez pensar muito mais que a moda é para cada um de nós como nossa personalidade. Há quem ostente o status como há quem ostente a beleza e o bom gosto ou apenas o se vestir. Como a Madú (ui, que íntima!) concluiu na Conversa, ‘a roupa é uma narrativa sobre nós para nós e para os outros. Um identidade em movimento.‘ E é isso que cada vez mais me fascina em querer ser um consultora de imagem.

Mas, se seu interesse é mesmo ver o que rolou de fato nas passarelas, indico o Chic e o Estilo GNT. Fica a dica! 😉

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4 Responses to “SPFW ou pensar moda?”

  1. É… um post ousadíssimo para uma consultora de moda.
    Há essa tendência de pensamento que oprime dizendo que se você não é celebridade sua vida não tem graça. E quem define o que entra ou não numa biografia???
    Post corajoso, que mostra uma grande personalidade!!!

    Aplaudo de pé.

    Beijos linda!

    • Nuóóóssa!! Fiquei lisonjeada, muito obrigada! 😀

      O ponto aqui não foi julgar a SPFW, até porque é um evento importantíssimo para o país, incluindo a economia. Mas sim questionar para quem é o espetáculo, porque moda também é arte e ali na passarela está o show do artista (designer). Então, por que uma acessibilidade restrita?

      Eu não sou contra, muito pelo contrário. Como você mesmo comentou semana passada sobre o desfile da Cavalera que foi inusitado, o Samuel Cirnansck com seu vestido mesa foi ousado e os utilitários que muitos apresentaram, além de toda beleza e criatividade. Só fiquei enjoada de tanto nhénhénhé, que era a informação que foi vendida. E qualquer coisa que eu falasse a respeito, me soaria a mesma coisa que eu já houvesse lido por aí.

      Beeeeeeejo!

  2. 3 Eric de Vasconcelos

    bom,
    sinceramente de moda eu nao entendo nada…. entendo sim,.. os absurdos de combinaçoes, enfim…uso realmente o que agrada, nao importando muito o que o outro pense… apesar de nunca nos vestirmos para nos mesmo,,,, sempre para os outros..
    SPFW acredito que seja mais, um lance para se promover marcas,,, pois concordo com PITACO,.. acesso restrito, poxa !!!!
    QUEM TEM ACESSO A MODA??
    QUEM FAZ MODA?????
    PARA QUEM É A MODA ??????

    ERIC

    • Pois é, Zé! Na verdade, o SPFW é para expor o trabalhos dos designers para que o público possa apreciar e adquirir. Tanto que a gente acaba vendo por ai coisas bem parecidas com o que foi exposto, como as cores que ‘pega’ em determinada estação. E quando lemos público, entende-se todos, inclusive o mercado internacional. Aí, justamente pro inglês ver, colocam lá celebs considerados formadores de opinião, e só. Bom, cada um tem seu ponto de vista. Eu sempre procuro consumir a informação e tirar minhas conclusões, formando minha própria opinião. Moda é para o mundo!

      Gostei muito que ‘cê veio aqui! Te espero mais vezes!
      Beeeeeeeeejo!


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