Então, mudaram a famosa frase do Oscar, aquela ‘And the Oscar goes to…‘, para ‘The Winner is…‘. Quer dizer, ouvi falar, uma vez que não assisti, outra vez que sou peona, lembra? Pois bem, se é verdade, particularmente, não gostei. ‘The winner is…‘ é muito Golden Globe, Grammy, Brit Awards e cia. Oscar é Oscar! E ‘The Oscar goes to…‘ é a frase do Oscar, inconfundível e incomparável! Como o Oscar! Whatever…

Alguma coisa eu vi, senão ia estar aqui falando o que, né? Aí, eu acabei acompanhando pelo Twitter, prorrogando um ‘agora chega!‘ a cada 10 minutos, incessantemente. Consegui deitar à 0h30, imaginem como foi minha 2ª feira… Mas ainda achei mais legal que assistir pela televisão, pois aquela tradução simultânea com aqueles comentários toscos dos ‘críticos’ de cinema me irritam consideravelmente. Parece até que eles vivem tão grudados na telinha do cinema que esquecem que existe uma vida real fora. Então, sem esses parâmetros de realidade, como eles podem afirmar que tal filme é bom ou ruim por isso ou aquilo? Besta! Mas o negócio não é bem a cerimônia, o que pega meeeeesmo é o tal Red Carpet. E, pra nossa sorte, esses ‘críticos’ pensam que entendem de cinema, e nada no quesito moda. Ainda bem!

E esse ano elegi logo de cara o meu preferido e consegui ficar com (quase) uma única opção:

Eu nem tenho vontade de falar mais nada! Mas vamos lá. A sortuda de estar vestindo essa maravilha é Rachel McAdams. E o vestido é de Elie Saab. Ele é um estilista libanês nascido no Dia da Independência dos EUA (oi?). Como muitos colegas de profissão, aprendeu a costurar, desenhar e estilizar desde pequeno e as características mais marcantes de seu trabalho são a feminilidade e o romantismo. Ele ficou famosenho quando Halle Berry apareceu na cerimônia do Oscar 2003 usando um de seus vestidos em vermelho com transparências e ganhou o prêmio de Melhor Atriz por Monster’s Ball. Pra saber mais sobre Elie Saab, vale a pena acessar o site! Quase todos os vestidos desfilados pelas atrizes estavam lindos. Mas esse me chamou a atenção por ser clássico e exótico ao mesmo tempo, sem perder o glamour que é do Oscar! Divertido por ser estampado, romântico por causa dos tons e cores, clássico por ser longo, brilhante por estar no Red Carpet. Precisa mais?

Ser meu! 😛


Greta Garbo andou atropelando meu caminho esses dias, então resolvi saber um pouco mais sobre ela e contar aqui. Primeiro começou com o texto da @karilima no Mulherices, blog que eu super recomendo. Depois, fiquei sabendo de uma exposição sobre seu closet na Itália, por Salvatore Ferragamo (mais informações no GNT Estilo e no Fashion Foward).

Se seu interesse é saber mais sobre a história de Greta Garbo, leia o texto do Mulherices. Aqui, pretendo falar mais sobre o estilo dela.

Pois bem. Em minhas primeiras pesquisas li que a Srta. Garbo não era tão estilosa assim… Então, por que uma exposição sobre seu closet? Continuei a pesquisar e não foi tão difícil descobrir que a informação estava levemente equivocada. Na verdade, Greta era admirada por seu estilo pessoal simples, elegante e ligeiramente masculinizado. Lembrando que nessa época, Chanel já ditava o conforto na indumentária feminina com adaptações do guarda roupa masculino. E depois, lá nos anos 30, a maior referência de moda era o cinema, onde Garbo reinava. (Ela não gostava de seu primeiro nome.)

O que mais chamava atenção para seu  talento era sua expressão. Tão feminina, sexy e misteriosa que seus filmes requeriam poucas legendas. (O cinema ainda era mudo!) Ela conseguia se expressar apenas com os movimentos, principalmente das mãos, seu jeito de andar ligeiramente curvado, sua sutileza e sua expressão facial. E pensar que no começo foi tachada de ‘gorducha sueca sem retoque’. É, levou um tempo pra que ela perdesse o ar adolescente e pudesse aprofundar seus traços tão marcantes. Era uma nova mulher.

Nos anos 30, a mulher devia ser magra, bronzeada e esportiva. Ou seja, o modelo de beleza de Greta Garbo. Seu visual sofisticado, com sobrancelhas e pálpebras marcadas com lápis e pó de arroz bem claro foi muito imitado pelas mulheres. Ditou moda com seus chapéus de aba caída, criados por Adrian Gilbert. Aliás, esse estilista foi o que mais caiu no gosto sofisticado de Garbo. Além, claro, de Salvatore Ferragamo que criou um par de sapatos que agradou tanto Greta que ela mandou fazer 70 pares de uma só vez, variando, muitas vezes, apenas a cor.

Greta Garbo foi considerada uma das atrizes mais influentes da época, senão do século XX. Porém, não soube lidar com o sucesso precoce… Detestava expor sua vida particular e sua imagem. A única vez que a viram dar um autógrafo foi à uma menina  de 10 anos que desmaiou ao lhe entregar um álbum que havia feito com fotos e recortes da atriz. Greta também não soube lidar com críticas negativas e desgaste da imagem, além da 2ª Guerra Mundial, retirando-se de cena muito cedo, vivendo em reclusão. A partir de então, passou a vestir casacos e chapéus que a escondiam para que não fosse reconhecida por onde andava. Um talento perdido…

Próximo ao Dia Internacional da Mulher, nada melhor que falar de uma representante de porte!


G1, 25/02/2010:Venda de artigos da Chanel provoca muvuca em Paris – 600 peças foram colocadas à venda, algumas com valores promocionais. Acervo tem objetos criados pela própria Mademoiselle Chanel.

O que seria isso, um exemplo de consumismo?

Ou, segmento de mercado pelo estilo?

Uma admiração pela marca, ou pela própria Chanel?

Ou o ‘ter’ mais importante que o ‘ser’?

Façam suas apostas!


Os carnavalescos adoram usar expressões exageradas, como ‘invadir a avenida‘, ‘desfile grandioso‘, sem contar o tamanho de seus carros alegóricos. Como disse semana passada, nunca liguei pra esse negócio de carnaval. Mas esse ano, além de um motivo específico e meu, também fui convidada por amigos do heart para ir ao Sambódromo e, escandalizada comigo mesma, não é que gostei! Assim, é bonito de ver, é um show, como uma coleção de moda a ser desfilada depois de trabalhada, além de uma expressão da cultura brasileira. Mas ainda continuo achando um gosto estragado… Gosto é gosto.

Aí, lá no Rio de Janeiro, a escola Porto da Pedra teve como tema a História da Moda. Claro que eu assisti! E achei bem interessante os links que eles fizeram, embora a transmissão da todapoderosa Rede Globo tenha deixado, e muito, a desejar. Mããããs, olha só: o primeiro carro representava a Pré História com Os Flinstones. A princípio, achei que não tinha nada a ver, até porque acredita-se que o homem começou a se cobrir com peles de animais por proteção, depois também por pudor. E o tigre símbolo da escola estava usando boné e piercing neste carro, como assim?!

Os Flinstones da Pré História e o Tigre de Piercing

Com a evolução da escola, fui percebendo as conexões. Afinal, na moda se fala muito de retrô e vintage, que são justamente esses resgates em modas passadas misturados ao modernismo. Então, a escola foi passando pela Antiguidade Clássica, Idade Média (enfatizando o Bizâncio e o Gótico), Renascimento, Barroco, Rococó e Neoclássico, até então mostrando a realeza como influência (ditadora) da moda, depois Século XX e Brasil. Claro, aquilo tudo é apenas uma representação e não daria tempo de mostrar tanta história, mesmo. Para quem não entende nada de História da Moda, assistir à Porto da Pedra teria sido um exercício tanto válido. A escola conseguiu mostrar a evolução e as relações diretas dos movimentos de arte com a arquitetura e, principalmente, a moda.

A Cleópatra da Antiguidade Clássica, o Gótico da Idade Média, a Rainha Elizabeth do Renascimento (melhor de baiana que de Geyse!) e o Rei Luís XIV do Barroco

Só que nem tudo é perfeito… A Geyse estava lá, desfilando, representando justo a Rainha Elizabeth! Se ainda houvesse restos mortais da bichinha por aí, ela deveria ter se remexido mesmo no túmulo… De qualquer forma, ela estar na mídia tem a ver com indumentária. Então compreensível, vai. Em contrapartida, Marília ‘Coco Chanel’ Pêra desbancou esse pequeno deslize e a-ha-sou!! Sem contar tantas outras referências representadas, que foram desde Charles Worth (considerado o ‘Pai da alta costura’ por assinar suas criações, acreditando que eram obras de arte, como na pintura, e criando a exclusividade na moda) a Clodovil, passando por Lanvin, Yves Saint Laurent, Valentino, Madeleine Vionnet e queridíssimos brasucas, como Alexandre Herchcovitch, Zuzu Angel, entre outros. Alguns até presentes na avenida!

Naomi de Yves Saint Laurent à la Mondrian, Marília 'Coco Chanel' Pêra e Alexandre Herchcovitch

Se você perdeu essa aula, vale conferir no site da Porto da Pedra a sinopse do desfile, uma aula tão básica quanto a transmitida, só faltou imagens. Falando nisso, ficou claro que os repórteres poderiam ter feito pelo menos uma pesquisenha básica no Google, pois nunca ouvi tanta baboseira sobre o tema! Ou então, como disse @LilianPacce, não custava nada ter convidado alguém da área para fazer comentários decentes e válidos, a escola merecia! E a entrevista com Paulo Menezes, carnavalesco da Porto da Pedra, ao Fashion Foward também é ótema!

E pra finalizar, o refrão mais lindo do samba enredo, um pensamento de presente para nós, admiradores da moda:

Sapucaí Fashion Day e alguns dos nossos estilistas

Eu sei que a arte caminhou
Modéstia à parte encontrou
Na moda a luz da emoção,
Em cada estilo uma expressão

Infelizmente, a Porto da Pedra não agradou muito os quesitos carnavalescos e ficou na antepenúltima colocação… Pelo menos não foi rebaixada.

P.S.

13fev10

Sabe, eu nunca gostei de carnaval. E esta semana que antecedeu tal festa não foi fácil… Afinal, o mundo fashion ficou menos rico com o falecimento de Alexander McQueen. Carnaval? … Bom, não quero me meter a falar de coisas que eu simplesmente admiro. Mas recomendo a matéria e a retrospectiva do Fashion Foward e pelo menos um videozito no Youtube. (Mas tente assistir mais que um, pois vale a pena! ;)) Esse cara foi muito mais que um estilista, foi um artista que conseguiu fazer uma arte completa, uma estrela muito grande que jogou fora seu brilho…

Nunca esperei pelo carnaval, muito pelo contrário. Mas este ano eu tenho motivo, lembra? =P Como me desejou Mario Queiroz, me preparando para fazer a diferença na moda!




Moda de massa

06fev10

Humf! O almoço de domingo, como em quase todas as casas que eu conheço, sai tarde, além do horário normal da semana. E assim é na minha casa. E no último domingo parece que atrasou mais que o normal, acontece. E a televisão estava ligada naquele programa da Record que era da Eliana e agora é da Ana Hickmann. Minha mãe é maravilhosa, mesmo. Mas tem um certo mal gosto. Ou faz de propósito, eu acho isso às vezes. E mesmo que seja só pra reclamar que a TV não tem nada que presta aos domingos (isso porque temos TV a cabo), ela insiste em deixar a TV ligada nesses programas. E ai de mim se reclamo…

Geyse em seu famigerado vestido pink, que a fez celebridade

Enfim. A grande convidada daquele programa nada mais era que a master celeb do momento, Geyse Arruda. Aquela do micro vestido pink da Uniban, lembra? Ela estava com o corpo pintado de pink (claro!) e parecia que estava realizando o ‘sonho’ de estar no quadro ‘Arquivo Confidencial‘, do Faustão, mas na Ana Hickmann, falando um mooonte de abobrinhas. Óh, Santa Leguminosa! By the way, por que ela é celeb mesmo?

É, quando rolou aquele furdúncio todo eu pensei: ‘E agora? Moda é, ou pelo menos deveria ser, democrática. Mas tá aí, um bando de universitários, fato que já os consideram membros da classe média-alta, no mínimo, agindo feito homens primatas. Só que a Ivete, a Wanessa (que agora é só Wanessa, sem o Camargo), a Beyoncé e maaaais um monte de mulher famosa usa curtíssimos e todo mundo acha lindomaravilhoso’. Sem resposta, parei de pensar no assunto, até porque convenhamos, néam! Mas aí, minha mãe ligou a TV no domingo e lá estava a Geyse… E eu comecei a pensar nos porquês disso tudo, de novo.

E aqui, curtindo sua fama, muito bem trajada

Não cheguei à uma conclusão porque o mundo anda em constante movimento e eu não sou antropóloga, nem socióloga, nem psicóloga pra definir algo e dizer que é a verdade absoluta. Afinal, cada um no seu quadrado! Mas eu acho que aquilo tudo não foi por acaso. Não acredito que ela, pobrinha, tenha sido tão somente vítima. Nem o lobo mal teria pego a Chapeuzinho se ela não tivesse passado pelo bosque, não é? Então, existem alguns modos que as pessoas devem tomar ao vestir determinados tipos de roupa. Nem a maiores celebs internacionais são perdoadas se algum paparazzo as flagram pagando calcinha ou mais que isso. Há uma grande diferença entre o estilo sexy e ser vulgar. E eu não duvido que nossa diva instantânea tenha provocado.

Por outro lado, paro e penso no que as pessoas tem acesso. Primeiro, já foi citado, a qualidade da programação da TV aberta. Depois, a quantidade e qualidade do que as pessoas têm acesso comercial, principalmente nessas lojas de departamento, onde lança-se muita modinha, muita coisa bacana, mas muita coisa ruim e sem noção também. Somado a uma coisa, que a Geyse chama de vaidade, temos a própria como resultado. Pois é, as pessoas consomem a informação sem questionar. Sem pensar se aquilo é realmente adequado para ela ou não. Tá, o sentido de adequação varia de uma pessoa para outra. Okey! Mas não me venha com historinhas e nem me faça engolir tragédias como informação relevante. Estamos neste mundo para evoluir. E a vaquinha que ela ganhou para seu aplique no cabelo e lipoescultura teria sido muito mais proveitoso se tivesse sido empregado num profissional que a ensinasse a ter bons modos, se vestir de maneira mais adequada a sua personalidade e outras cositas más. Pensar moda, ou pensar qualquer coisa que faça a diferença para melhor no mundo é muito legal meeeeesmo. Experimente!


Tem uns dias que eu tenho pensado sobre o consumo de luxo. Ou melhor, no que as pessoas realmente querem consumir. E só me vem uma resposta à cabeça: status. Acho que isso ainda é impacto de uma das palestrantes do Ziguezague.

Sim, quando sonhamos com algo sempre nos parece luxuoso. Sempre queremos consumir o que é mais belo, muitas vezes que é mais caro também. Aquela coisa da ostentação. E não adianta querer se fazer de humildezinho porque todo mundo já teve pelo menos um desejo assim. Agora, a sacada é tentar entender como isso tem se transformado, afinal fala-se muito em sustentabilidade, e tem a coisa da personalidade e tudo mais. Numa entrevista ao Fashion Foward, Regina Guerreiro disse que moda não combina com sustentabilidade, pois ela não pode ser limitada. Eu acho que limitar é não pensar nas possibilidades. Tá ai uma das coisas que a Consultoria de Imagem aborda, o consumo consciente. Não é necessário ter um guarda roupa abarrotado, mas sim coordenável. Aí, já se elimina o consumo exagerado, um passo à essa tal sustentabilidade.

A Elle Brasil de Janeiro/2010 traz uma reportagem sobre a divisão do luxo. Em resumo, consumir o luxo em forma de sociedade. Assim: você compra uma fração de determinado bem ou compra uma parte por determinado tempo e divide com os outros sócios-compradores. Isso pode ser um helicóptero, uma casa de veraneio ou um vestido de grife. Essas práticas já acontecem pelo mundo. Aqui no Brasil está começando, há empreendimentos imobiliários em andamento, só para o mercado de moda que (quase) ainda não. Há um site americano, o Wear Today Gone Tomorrow, que está praticando tal feito fashion. Já no site da Época Negócios saiu uma reportagem de duas bonitenhas que estão fazendo isso, mas com bolsas, no BoBags. Na verdade, elas se basearam num outro site americano, o Bag Borrow or Steal, que atua no mercado de acessórios em geral.

E eu acho isso tudo muito válido! Mesmo por que ainda não consegui definir meu ponto de vista sobre o consumo de luxo vs. consumo necessário. Consumindo desta forma te permite variar e ainda perceber se aquele produto tem mesmo a ver com você, com sua personalidade. Ou até mesmo se aquela marca é tudo aquilo que você sonhava. E ainda contesta as diferenciações entre classes sociais, já que o luxo se torna acessível a todos, e não só à nata, como acontece por séculos.

E assim, o luxo vai se tornando realidade, possível, sustentável.